Importação de trigo pode passar de 9 milhões de toneladas, a maior em 30 anos, diz Abitrigo
Indústria moageira abre congresso no Rio com pauta para o próximo governo: política nacional para o trigo, crédito para armazenagem e expansão no Cerrado

- Com o país dependente de trigo de fora, o produtor do Sul que tem grão de boa qualidade para panificação ganha poder de negociação com o moinho: vale vender por lote classificado, não pela média
- A indústria vai pedir ao próximo governo incentivo ao trigo no Cerrado e crédito para armazenagem, temas que podem virar linha de financiamento e mercado novo a partir de 2027
- Acompanhe a chegada do trigo argentino em dezembro, que costuma ditar o preço interno no início do ano
A importação de trigo pelo Brasil pode passar de 9 milhões de toneladas na temporada 2026/27, o maior volume dos últimos 30 anos, segundo a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo). A estimativa foi apresentada nesta quinta-feira (22) pelo presidente-executivo da entidade, Rubens Barbosa, na abertura do 33º Congresso Internacional da Indústria do Trigo, no Rio de Janeiro, segundo a Safras & Mercado e a AgFeed.
A Abitrigo atribui a necessidade de comprar mais lá fora à queda da produção nacional, com perda de produtividade e de qualidade dos grãos nos estados do Sul e do Sudeste, quadro que aparece na colheita de trigo no Paraná, onde 13% das lavouras estavam em condição ruim segundo o Deral.
agro.page · grátisCliente pede preço? Mande um link só.Catálogo, cotação do dia e Pix na sua página. Começa grátis e o 1º mês do Premium sai por nossa conta.Começar grátis agora →No mesmo evento, a entidade anunciou que levará uma pauta do setor moageiro à equipe de transição do candidato eleito no segundo turno da eleição presidencial, segundo o Canal Rural e o CompreRural.
Importação de trigo: o que a indústria vai pedir
Entre as prioridades listadas pela Abitrigo estão a formulação de uma política nacional para o trigo, melhorias na infraestrutura de armazenagem, linhas de crédito específicas para os moinhos investirem em estruturas de armazenamento e o incentivo à expansão do cultivo no Cerrado.
A entidade também reclama da tributação do trigo importado. Segundo a Abitrigo, citada pela AgFeed e pelo Canal Rural, desde agosto houve aumento de 1,17% na carga tributária e redução de 10% no crédito presumido. Para Barbosa, esses fatores vão pressionar os custos do trigo em 2026/27 e os preços da farinha e de derivados como pães, massas e biscoitos.
Quanto a conta cresceu desde agosto
Em agosto, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetava importação de 7,1 milhões de toneladas, então o maior volume em quase 20 anos, segundo o Agrolink. Na conta do agro.page, a estimativa da Abitrigo de mais de 9 milhões de toneladas fica cerca de 1,9 milhão de toneladas acima, um salto de aproximadamente 27% em dois meses.
Esse volume extra equivale a cerca de 32 milhões de sacas de 60 kg que os moinhos terão de buscar fora, expostos, como lembrou a própria Abitrigo, ao câmbio, ao frete e ao seguro.
O que muda para o agro
- Trigo de qualidade vale mais: com oferta interna curta, o lote que atende o padrão de panificação tende a ser disputado. Venda por lote classificado, separando o grão bom do lote com problema de qualidade.
- Cerrado e armazenagem: a pauta da indústria inclui expansão no Cerrado e crédito para armazenar. Se avançar no novo governo, pode abrir linhas e contratos para quem planta trigo tropical.
- O que acompanhar: a chegada do trigo argentino, a partir de dezembro, e a próxima estimativa da Conab para a safra nacional, que vão indicar se os 9 milhões de toneladas se confirmam.
Entenda o contexto
- Colheita de trigo no Paraná chega a 82%, mas 13% das lavouras estão ruins e parte não cobre o custo, diz Deral
- Geada e falta de sol cortam até 30% do trigo no centro da Argentina, de onde vem a maior parte do trigo que o Brasil importa
- Trigo em Chicago cai a US$ 6,28 por bushel e vai ao menor nível desde agosto com conversa de paz na Ucrânia
Fontes
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