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Geada e falta de sol cortam até 30% do trigo no centro da Argentina, de onde vem a maior parte do trigo que o Brasil importa

Bolsa de Cereais de Buenos Aires vê quebra de 10% a 30% em parte da área central; com a safra brasileira menor e de qualidade fraca, os moinhos podem ter de importar de 7 a 10 milhões de toneladas

Redação agro.page6 fontes

Espigas de trigo maduras na lavoura
Foto: Musikuhli/Pixabay
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O que muda para o agro
  • O moinho brasileiro vai depender mais do trigo de fora em 2027, e a Argentina, maior fornecedora, colhe menos que no ano recorde passado
  • Se a qualidade argentina vier fraca de novo, cresce o espaço para trigo da Rússia e de fora do Mercosul, que paga a tarifa externa comum
  • Para quem colheu trigo bom no Sul, menos oferta argentina de qualidade sustenta o prêmio pago por lote de PH alto

O trigo argentino vai render menos do que no ano passado em parte da principal zona produtora do país. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires prevê quebra de 10% a 30% no rendimento em setores do centro da área agrícola, por causa de geadas e do aborto de perfilhos, segundo o Infobae. A entidade também alerta para a falta de radiação solar no período crítico, que pode reduzir o número de grãos por espiga.

As chuvas do início de outubro recuperaram parte das lavouras da região núcleo. Segundo a Bolsa de Comércio de Rosário, a média foi de 48 mm na primeira semana do mês, com mais de 100 mm em algumas cidades. Mesmo assim, técnicos em Carlos Pellegrini (Santa Fe) projetam cerca de 40 sacos de 100 kg por hectare, uns 20% abaixo do ciclo passado.

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A chuva e o frio desta semana também atrasam o começo da colheita no norte argentino e a semeadura de milho e girassol, segundo o Mirador Provincial.

Por que o trigo argentino importa para o Brasil

  • Maior fornecedor: a Argentina é a principal origem do trigo que o Brasil importa, seguida de Paraguai e Uruguai.
  • Importação maior: a Conab projeta 7,1 milhões de toneladas importadas em 2026/27, o maior volume desde 2006/07. A Safras & Mercado fala em cerca de 9 milhões e a Viterra-Bunge, em até 10 milhões, se as perdas no Sul se confirmarem.
  • Qualidade em jogo: no primeiro semestre, o Brasil comprou menos trigo argentino (cerca de 2 milhões de toneladas) e os moinhos reclamaram da qualidade da safra anterior; a Rússia voltou a mandar trigo.

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Uma lavoura argentina de 40 sacos de 100 kg por hectare equivale a 4 toneladas por hectare, ou cerca de 67 sacas de 60 kg. Uma quebra de 20% tira perto de 1 tonelada por hectare, ou 17 sacas.

Se o Brasil importar 9 milhões de toneladas, isso dá 150 milhões de sacas de 60 kg vindas de fora, contra 6,87 milhões de toneladas (114 milhões de sacas) importadas em 2025, segundo a Abitrigo.

O que observar

A colheita na região núcleo argentina avança em novembro e dezembro e os primeiros lotes vão mostrar o peso hectolitro (PH) e a proteína. Se a qualidade vier boa, o trigo argentino continua limitando o preço no Sul do Brasil; se vier fraca, sobe a disputa pelo trigo nacional de PH alto e a importação de fora do Mercosul.

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Fontes

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