El Niño já é o mais forte já medido, diz Japão; NOAA vê 83% de chance de recorde até dezembro
Agência japonesa registrou o maior aquecimento do Pacífico desde 1949; para o Brasil, a previsão é de seca no Centro-Norte e chuva demais no Sul em pleno plantio
- No Centro-Oeste, Matopiba e Minas, a chuva irregular pede plantio só com umidade no solo, para evitar replantio
- No Sul, o excesso de chuva aumenta o risco de doenças fúngicas e pode atrasar a colheita do trigo
- O fenômeno deve durar até o outono de 2027, então a safrinha de milho também entra no radar
O El Niño 2026 já é o mais forte já medido pela Agência Meteorológica do Japão (JMA). Segundo o boletim de 9 de outubro, o aquecimento das águas do Pacífico chegou a cerca de 4 °C acima do normal em setembro, superando o recorde de dezembro de 1997. A série da agência começa em 1949.
Nos Estados Unidos, a NOAA elevou para 83% a chance de o fenômeno atingir intensidade histórica entre outubro e dezembro. Em setembro, essa probabilidade era de 75%. A agência americana vê ainda mais de 90% de chance de um evento muito forte e espera que ele dure até o outono de 2027.
agro.page · grátisQuem vende no agro tem agro.pageRevenda, produtor e cerealista: sua vitrine com WhatsApp e Pix pronta hoje, grátis, sem app.Quero o meu grátis →As duas agências usam regiões diferentes do Pacífico para medir o fenômeno, por isso os números não batem entre si. Mas a mensagem é a mesma: o pico ainda está por vir, e ele cai em cheio no plantio da soja 2026/27.
O que o El Niño faz no Brasil
O padrão do El Niño no Brasil é conhecido: menos chuva no Centro-Norte e chuva acima da média no Sul. O prognóstico de primavera do Inmet, do Inpe e da Funceme confirma esse desenho, com falta de chuva em grande parte do Centro-Norte, excesso no Sul e temperaturas acima da média em boa parte do país. Para Minas Gerais, o Inmet prevê um outubro seco para o café e a soja.
Região por região
- Mato Grosso, Goiás e Matopiba: chuva irregular e calor elevam o risco de veranico logo depois das primeiras chuvas. O solo seco em outubro e novembro preocupa quem planta cedo.
- Minas Gerais: outubro seco pesa sobre o café e segura o plantio da soja.
- Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul: a chuva acima da média aumenta o risco de encharcamento e de doenças fúngicas, e pode atrapalhar a colheita do trigo.
O que acompanhar a partir de agora
O próximo diagnóstico da NOAA sai em novembro. Até lá, vale acompanhar a previsão de chuva semana a semana na sua cidade e o ritmo do plantio divulgado pelas consultorias e institutos estaduais. Quem vende insumo ou compra grão deve olhar o mapa de chuva antes de fechar negócio: um El Niño desse tamanho tende a separar bem as regiões que colhem cheio das que vão ter quebra.
Fontes
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