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Cotribá aprova liquidação extrajudicial com dívida de R$ 1,4 bilhão e segue operando no RS

Assembleia em Ibirubá aprovou por unanimidade a dissolução voluntária da cooperativa gaúcha, fundada em 1911; o presidente Sergio Strentzke vira liquidante e terá de negociar direto com os credores

Redação agro.page9 fontes

Silos metálicos de armazenagem de grãos em unidade rural sob céu azul
Foto: marcson/Pixabay
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O que muda para o agro
  • A Cotribá continua comprando, vendendo e recebendo grão, mas agora como cooperativa "em liquidação", e o pagamento das dívidas depende de acordo direto com os credores
  • Associado ou produtor com grão depositado, nota ou crédito a receber deve reunir contratos, romaneios e comprovantes e acompanhar o plano que o liquidante vai apresentar
  • Na conta do agro.page, a dívida declarada em abril dá, em média simples, cerca de R$ 69 mil por credor, mas a divisão real entre bancos, fundos e produtores não foi divulgada

Os associados aprovaram em assembleia na terça-feira (20) a dissolução voluntária e a liquidação da Cotribá, cooperativa agropecuária com sede em Ibirubá (RS), em regime extrajudicial e sem parar as atividades. A dívida é estimada em cerca de R$ 1,4 bilhão, segundo o Jornal do Comércio, o Grupo Ceres, a CompreRural e a Globo Rural.

A proposta foi aprovada por unanimidade. O Jornal do Comércio informa que havia 375 associados presentes; a reportagem da Globo Rural fala em cerca de 400. A cooperativa tem 11.393 associados, segundo a Globo Rural e o portal CPG Click Petróleo e Gás.

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O presidente da cooperativa, Sergio Strentzke, foi eleito liquidante. Pela proposta aprovada, a Cotribá mantém as operações comerciais e passa a usar "em liquidação" no nome, segundo as reportagens.

Fundada em 1911, a cooperativa tem mais de 60 pontos de negócio no Rio Grande do Sul, segundo a Globo Rural.

Por que a liquidação da Cotribá veio agora

O caminho da liquidação veio depois que a Justiça barrou a recuperação judicial. Em setembro, a 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) decidiu, por unanimidade, que a Cotribá não tem legitimidade para pedir recuperação judicial e reformou a decisão de primeira instância que havia aceitado o pedido, segundo o Grupo Ceres e o ClicEspumoso.

No pedido apresentado em abril, a cooperativa declarou dívidas de cerca de R$ 1,427 bilhão, distribuídas entre 20.614 credores, segundo a CompreRural. As reportagens citam bancos, fundos e centenas de produtores rurais entre eles. O valor é o declarado naquela data, não um balanço atualizado.

Na liquidação extrajudicial, segundo as reportagens, a cooperativa negocia o plano de pagamento direto com os credores, sem homologação da Justiça, e os credores precisam concordar com os termos. Segundo a Rádio Progresso, o regime prevê suspensão das cobranças por um ano, prorrogável por mais um. A mesma emissora informa que a Aper, associação de produtores da região, anunciou que vai à Justiça pedir a exibição de documentos sobre cessões de crédito feitas pela cooperativa.

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A conta por credor

Na conta do agro.page, R$ 1,427 bilhão dividido por 20.614 credores dá uma média simples de cerca de R$ 69 mil por credor. A média esconde a distribuição real: a cooperativa não divulgou quanto da dívida está com bancos e fundos e quanto com produtores.

O caso entra num momento de crédito apertado no campo. Como mostramos, a inadimplência no crédito rural bateu recorde, enquanto os pedidos de recuperação judicial no agro caíram no 2º trimestre, segundo a Serasa.

O que muda para o agro

  • Operação continua: a Cotribá segue funcionando durante a liquidação. Quem entrega grão ou compra insumo nela deve confirmar por escrito prazos e condições de cada negócio novo.
  • Quem tem a receber: associado ou produtor com grão depositado, sobra ou pagamento pendente deve juntar contratos, romaneios, notas e extratos, e acompanhar o plano que o liquidante vai apresentar aos credores.
  • Fornecedores e prestadores: quem tem valores a receber da cooperativa também deve conferir se está na lista de credores e guardar a documentação.
  • O que acompanhar: a apresentação do plano de pagamento, a adesão dos credores e o andamento da ação anunciada pela Aper.

Entenda o contexto

Fontes

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