China compra mais 612 mil toneladas de soja dos EUA, mas Chicago cai à mínima desde agosto
Venda confirmada pelo USDA na terça não segurou a bolsa: contrato de novembro fechou a US$ 12,48 por bushel, menor nível desde 26 de agosto, com a colheita americana e a saída de fundos pesando mais

- A compra chinesa nos EUA cobre parte da demanda justamente na janela de dezembro a fevereiro, quando a soja 2026/27 do Brasil começa a ser colhida e embarcada
- Pela conta do agro.page, a bolsa de Chicago paga hoje cerca de US$ 27,52 por saca antes de prêmio e câmbio, o menor patamar desde o fim de agosto
- Quem ainda não fixou preço da safra nova pode dividir as vendas em lotes e acompanhar o prêmio em Paranaguá e Santos para janeiro e fevereiro, que é onde a concorrência americana aparece primeiro
A China comprou mais 612 mil toneladas de soja dos EUA, com entrega na temporada 2026/27. A venda foi informada por exportadores privados e confirmada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) na terça-feira (20), segundo o Notícias Agrícolas e a Grain Central.
Mesmo assim, a bolsa de Chicago caiu. O contrato de novembro recuou 5,25 centavos de dólar, para US$ 12,4825 por bushel, o menor nível desde 26 de agosto, segundo a Reuters. A agência atribuiu a queda à saída de fundos que estavam comprados e à pressão da colheita nos EUA.
agro.page · grátisCliente pede preço? Mande um link só.Catálogo, cotação do dia e Pix na sua página. Começa grátis e o 1º mês do Premium sai por nossa conta.Começar grátis agora →O farelo de soja puxou as perdas. O contrato de dezembro caiu 1,72%, para US$ 348,70 por tonelada curta, de acordo com o Notícias Agrícolas; a Grain Central registrou a mesma queda percentual.
Por que a China compra soja dos EUA e o preço não sobe
A colheita americana chegou a 64% da área até 18 de outubro, perto da média de cinco anos, de 65%, segundo o USDA. Com o grão entrando de uma vez, a oferta pesa mais que a demanda chinesa, avaliam analistas ouvidos pelas fontes.
A soja americana ainda paga uma tarifa adicional de 10% para entrar na China, o que, segundo traders citados pela imprensa internacional, limita as compras das esmagadoras privadas.
A Grain Central, da Austrália, relata ainda que o mercado comentava a possibilidade de mais 10 a 15 cargas negociadas, e que o plantel de matrizes suínas da China caiu 10,7% no trimestre, para 36,02 milhões de cabeças. Os dois dados aparecem só nessa fonte, que vê no corte do plantel um sinal negativo de médio prazo para a demanda por farelo.
A conta do agro.page
As 612 mil toneladas equivalem a cerca de 10,2 milhões de sacas de 60 kg, ou perto de dez navios de 60 mil toneladas.
agro.page · grátisQuem vende no agro tem agro.pageRevenda, produtor e cerealista: sua vitrine com WhatsApp e Pix pronta hoje, grátis, sem app.Quero o meu grátis →Na conversão para saca, o preço de US$ 12,4825 por bushel dá cerca de US$ 27,52 por saca na bolsa. O preço pago no Brasil depende ainda do prêmio no porto e do dólar, que podem compensar ou ampliar o movimento de Chicago.
Como o agro.page mostrou na terça, a China importou 360,9 mil toneladas de soja americana em setembro, contra zero um ano antes, e as cargas do acordo comercial devem chegar entre o fim do ano e o início de 2027.
O que observar
O ponto sensível é o calendário: a soja comprada agora nos EUA desembarca na China na mesma época em que a safra 2026/27 do Brasil começa a ser colhida no Mato Grosso e no Paraná. O prêmio para embarque em janeiro e fevereiro nos portos brasileiros é o primeiro termômetro dessa disputa.
Os próximos sinais a acompanhar são o avanço da colheita nos EUA e novos anúncios de venda para a China.
Entenda o contexto
Fontes
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