Preço do feijão-preto sobe 9,7% na 1ª quinzena de outubro e acumula alta de 88% no ano, aponta Cepea
Oferta curta e plantio atrasado no Paraná sustentam o grão preto; carioca de qualidade superior anda de lado no campo, mas lidera a alta no supermercado

- Pela conta do agro.page, a alta de cerca de R$ 22 por saca no sul do Paraná em relação a setembro vale cerca de R$ 435 a mais por hectare, com a produtividade média de 20 sacas por hectare que a Conab projeta para a 1ª safra
- Quem ainda tem feijão-preto guardado vende num mercado com oferta curta, mas o comprador está cauteloso: o Cepea relata demanda lenta, o que limita novas altas
- Para a safra que está sendo plantada, o ponto a acompanhar é o Paraná: área menor e plantio atrasado pela chuva podem manter a oferta apertada até a colheita, prevista a partir de dezembro
O preço do feijão-preto subiu 9,72% na primeira quinzena de outubro, segundo o Indicador Cepea/CNA, e já acumula alta de 87,96% em 2026. No mesmo período, o feijão-carioca de qualidade superior avançou 0,69%, e o intermediário, 1,35%, de acordo com o levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a CNA.
No sul do Paraná, principal região do grão preto, a saca de 60 quilos teve média de R$ 263,06 até 16 de outubro, 9,1% acima da média de setembro, segundo o Cepea. No noroeste de Minas Gerais, o carioca de qualidade superior ficou em média em R$ 311,42, alta de 0,4% sobre setembro.
agro.page · grátisCliente pede preço? Mande um link só.Catálogo, cotação do dia e Pix na sua página. Começa grátis e o 1º mês do Premium sai por nossa conta.Começar grátis agora →Os pesquisadores do Cepea atribuem a firmeza à oferta restrita. Segundo eles, a recuperação dos estoques prevista para a safra 2026/27 não elimina o aperto, porque os volumes projetados seguem baixos. O atraso no plantio da primeira safra reforça a preocupação com a oferta futura, segundo o Canal Rural.
Preço do feijão: a conta por hectare
Pela conta do agro.page, a média de setembro no sul do Paraná foi de cerca de R$ 241 por saca. A alta de outubro equivale a R$ 22 a mais por saca.
A Conab projeta, no 1º levantamento da safra 2026/27, colheita de 963,1 mil toneladas de feijão de primeira safra em 808,2 mil hectares. Isso dá cerca de 20 sacas por hectare na média nacional. Com esse rendimento, a diferença de preço entre setembro e outubro vale cerca de R$ 435 por hectare na receita bruta.
Na safra inteira, a Conab estima produção de cerca de 2,9 milhões de toneladas de feijão, para um consumo interno de 2,65 milhões de toneladas.
Paraná planta menos e mais devagar
No Paraná, o plantio da primeira safra de feijão chegou a 52% da área até a primeira quinzena de outubro, contra 62% no mesmo período de 2025, segundo o Deral, da Secretaria da Agricultura do estado, citado pelo portal aRede. As chuvas frequentes no estado também atrasam a soja.
agro.page · grátisQuem vende no agro tem agro.pageRevenda, produtor e cerealista: sua vitrine com WhatsApp e Pix pronta hoje, grátis, sem app.Quero o meu grátis →A área estimada é de 88,3 mil hectares, cerca de 14% abaixo da safra passada, segundo os dados do Deral citados pelo aRede e pelo Canal Rural. O departamento já vinha apontando que o feijão perde espaço no verão para a soja e o milho nas áreas onde as duas culturas são opção.
Carioca: no campo de lado, no varejo em alta
No campo, a demanda está mais lenta e limita altas maiores, de acordo com o Cepea. Lotes de carioca de notas mais baixas (8 e 8,5) sofrem mais pressão, porque parte dos vendedores precisa fazer caixa para cumprir compromissos financeiros.
No varejo, a situação se inverte: segundo o Cepea, é o carioca que mostra a maior alta em 12 meses nas prateleiras.
Entenda o contexto
Fontes
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