Milho para etanol deve subir 17% e usar 34 milhões de toneladas em 2026/27, projeta Hedgepoint
Consultoria estima safra recorde de 146,5 milhões de toneladas, mas a demanda das usinas e da exportação cresce mais do que a produção; compras do Irã são o principal risco

- A demanda das usinas de etanol de milho deve crescer 5 milhões de toneladas, mais do que o aumento previsto da safra, o que ajuda a segurar o mercado interno
- Para quem planta milho perto de usina, especialmente em MT, GO e MS, a venda para o etanol ganha peso como alternativa à exportação
- O risco está fora: se o Irã comprar menos, sobra milho para o mercado interno no 2º semestre de 2027
O uso de milho para etanol deve subir 17% na safra 2026/27 e chegar a 34 milhões de toneladas, contra 29 milhões no ciclo atual, segundo a primeira estimativa da consultoria Hedgepoint Global Markets, divulgada nesta segunda-feira (19) por CNN Brasil e CompreRural.
A consultoria projeta uma safra de milho recorde, de 146,5 milhões de toneladas, alta de 3,1% sobre as 142,1 milhões de toneladas de 2025/26. A área deve passar de 22,3 milhões para 22,7 milhões de hectares, com ganho de produtividade principalmente em Minas Gerais e Goiás, segundo a Hedgepoint.
agro.page · grátisSeu agro.page grátis em 2 minutosWhatsApp, Pix, catálogo e a cotação do dia num link só. Coloque na bio e venda mais.Criar meu agro.page grátis →Segundo a consultoria, a alta do etanol vem de novas usinas que entram em operação até 2027 e do aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina. A Hedgepoint também prevê exportação de 41 milhões de toneladas, contra 38 milhões em 2025/26.
A conta do milho para etanol
Pelos números da Hedgepoint, a produção cresce 4,4 milhões de toneladas de um ano para o outro. Só o milho para etanol deve absorver 5 milhões de toneladas a mais, cerca de 83 milhões de sacas. Somando a exportação (+3 milhões), a demanda dessas duas pontas sobe perto de 8 milhões de toneladas, quase o dobro do aumento da oferta.
As usinas passariam a consumir 23% do milho produzido no país, contra cerca de 20% em 2025/26. Na produtividade média, a estimativa implica cerca de 6,45 toneladas por hectare, ou 107 sacas, uma saca a mais que no ciclo anterior.
Irã e Argentina são o risco
A Hedgepoint aponta o Irã como principal ponto de atenção. Segundo a consultoria, o país foi o maior destino do milho brasileiro em 2025, com 9 milhões de toneladas, e uma redução das compras, se o conflito no Golfo persistir, pode pesar nos embarques. Esse volume equivale a mais de um quinto da exportação projetada para 2026/27. A concorrência com a Argentina também deve limitar as vendas externas.
Outras casas trabalham com números próximos: a Datagro estima 147,5 milhões de toneladas e a Safras & Mercado, 145,6 milhões. A Conab, no primeiro levantamento, projetou 148 milhões.
O que observar
O número ainda é preliminar e depende do clima, em especial da janela do milho safrinha, que já preocupa no Paraná e em Mato Grosso do Sul por causa do atraso no plantio da soja. Para o produtor, vale acompanhar os contratos com usinas da região, que tendem a ganhar espaço se a exportação ao Golfo perder ritmo.
Entenda o contexto
Fontes
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