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Carne bovina do Nordeste faz 1º embarque para a China nesta sexta, já com a cota de 2026 esgotada

Contêiner de 27 toneladas sai às 11h do frigorífico Masterboi, em Canhotinho (PE), rumo a Xangai; acima da cota, a carne brasileira paga 55% de tarifa extra

Redação agro.page5 fontes

Contêiner sendo carregado em caminhão por guindaste em terminal portuário
Foto: Mylene2401/Pixabay
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O que muda para o agro
  • Pela primeira vez o boi do Agreste e do Nordeste passa a ter um comprador com acesso direto à China, o que pode ampliar a disputa por animais terminados na região
  • O embarque sai com a cota chinesa de 2026 já esgotada, então cada tonelada desembaraçada neste ano paga 67% de tarifa no total e o ganho imediato para o preço da arroba tende a ser limitado
  • O efeito maior tende a aparecer só em 2027, com a nova cota, e depende de o rebanho regional atender às exigências sanitárias e de rastreabilidade do mercado chinês

A carne bovina do Nordeste faz nesta sexta-feira (23) o seu primeiro embarque para a China. Um contêiner com 27 toneladas de carne congelada sai às 11h do frigorífico Masterboi, em Canhotinho, no Agreste de Pernambuco, com destino ao porto de Xangai, segundo nota de agenda do Ministério da Agricultura (Mapa) e reportagem do Feed Food.

O ministro da Agricultura, André de Paula, está previsto para acompanhar a operação. Segundo o Mapa, a unidade de Canhotinho é hoje o único frigorífico bovino do Nordeste sob inspeção federal (SIF) habilitado a vender carne para a China.

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A habilitação foi concedida pela alfândega chinesa (GACC) em 29 de setembro. Até então, a Masterboi atendia o mercado chinês apenas pela planta de São Geraldo do Araguaia, no Pará. Segundo o portal MCO, a unidade pernambucana abate cerca de 800 bois por dia e pretende chegar a 1.200.

Carne bovina do Nordeste chega à China com tarifa de 67%

O primeiro contêiner sai num momento ruim para a carne brasileira na China. Segundo anúncio do Ministério do Comércio da China (Mofcom), o Brasil esgotou em 29 de setembro a cota anual de 1,106 milhão de toneladas com tarifa normal. Desde 1º de outubro, o que entra acima dela paga 55% de tarifa adicional, o que leva a carga total a 67% com a alíquota de 12%, segundo a consultoria UkrAgroConsult.

Uma conta aproximada do portal mostra o peso disso. Pelo preço médio da carne in natura exportada em outubro, perto de US$ 6,2 mil por tonelada segundo a Secex, as 27 toneladas valem cerca de US$ 167 mil. Só a tarifa extra de 55% somaria uns US$ 92 mil, e a carga total de 67% chegaria a cerca de US$ 112 mil, se a carga for desembaraçada ainda em 2026. A conta é estimativa: o imposto incide sobre o valor aduaneiro, que inclui frete e seguro.

O que acompanhar

O embarque tem peso mais simbólico e logístico do que de volume: 27 toneladas equivalem a cerca de 0,3% do que o Brasil embarca de carne bovina in natura em um único dia útil de outubro (9,8 mil toneladas, segundo a Secex).

Para o pecuarista nordestino, o ponto a observar é se a planta passa a pagar diferencial pelo boi "China", hoje comum no Centro-Oeste e no Norte. Isso depende do ritmo de embarques e da regra que a China definir para a cota de 2027.

Entenda o contexto

Fontes

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