Seca nos rios do Norte já tira 30% da carga das barcaças de grãos, diz trading; pico em novembro pode levar perda a 60%
Calado menor no Tapajós e no Madeira obriga comboios a navegar mais leves na reta final do escoamento do milho; Caramuru diz operar sem interrupção e Aprosoja-RO vê baixa esperada para a época

- Barcaça mais leve encarece cada tonelada que sai por Miritituba e Porto Velho, e esse custo costuma voltar ao produtor no preço pago no interior de MT, RO e do Pará
- Pela estimativa do governo, de R$ 150 a R$ 250 a mais por tonelada no frete, a conta fica entre R$ 9 e R$ 15 por saca de 60 kg se a carga tiver de ir por rodovia
- Quem ainda tem milho para vender ou fertilizante para receber pelo Arco Norte deve conferir com a trading prazo e local de entrega antes do pico da seca, em novembro
A seca nos rios do Norte já obriga as barcaças de grãos a navegar mais leves. Uma trading que opera na região disse à CNN Brasil nesta segunda-feira (19) que toda a frota segue em movimento, mas com cerca de 30% menos carga por causa da queda do calado.
Com o pico da vazante esperado para novembro, a perda de capacidade por viagem pode chegar a 60%, segundo a mesma empresa. Ela ressalta que a estimativa ainda não considera o efeito de um El Niño muito forte, cenário que os serviços de meteorologia já apontam para o fim do ano.
agro.page · grátisCliente pede preço? Mande um link só.Catálogo, cotação do dia e Pix na sua página. Começa grátis e o 1º mês do Premium sai por nossa conta.Começar grátis agora →Nem todas as empresas relatam o mesmo aperto. A Caramuru afirmou à CNN Brasil que as barcaças levam volumes um pouco menores, sem impacto relevante, e que mantém a rota entre Itaituba (PA) e Santana (AP). A Aprosoja-RO diz que o rio Madeira baixou, mas dentro do esperado para a época. Em Roraima, a Aprosoja-RR relata que a baixa do rio Branco já atrapalhou o escoamento da soja em agosto.
Seca nos rios do Norte: o risco no Tapajós
O ponto mais sensível é a hidrovia do Tapajós, entre Miritituba e Santarém. Em documento enviado ao Ministério da Agricultura, entidades do setor estimaram que uma interrupção da navegação poderia reter de 3,5 milhões a 5,5 milhões de toneladas de grãos, com custo logístico extra de R$ 500 milhões a R$ 800 milhões, segundo o portal Minuto MT. A Antaq pediu a terminais e transportadores planos de contingência, como reduzir a carga por barcaça e usar embarcações de menor calado.
A dragagem de manutenção do trecho segue suspensa. O Ministério de Portos e Aeroportos informou que a contratação está parada por decisão do governo federal, e o TCU condicionou a licitação do Dnit à licença prévia e à consulta às comunidades indígenas.
A conta do agro.page
Em julho, o governo estimou que o desvio para rodovias e portos mais distantes acrescentaria de R$ 150 a R$ 250 por tonelada ao frete, segundo o Jornal de Brasília. Em saca de 60 kg, isso equivale a R$ 9 a R$ 15 por saca, valor que costuma ser descontado do preço pago ao produtor nas praças que dependem do Arco Norte, como o médio-norte de Mato Grosso e o oeste do Pará.
O quadro se soma aos incêndios no oeste paraense, mostrados mais cedo pelo agro.page, e ao contraste com o Centro-Sul, onde o problema é o excesso de chuva.
O que observar
O nível do Tapajós e do Madeira nas próximas semanas e eventuais avisos de alívio de carga ou paralisação da Antaq. A expectativa das empresas é que a chuva eleve os rios em janeiro e fevereiro, a tempo da chegada dos insumos para a safrinha.
Entenda o contexto
- Incêndios no oeste do Pará chegam a 922 focos e deixam ar de Santarém muito insalubre; região de grãos monta sala de crise
- El Niño já é o mais forte já medido, diz Japão; NOAA vê 83% de chance de recorde até dezembro
- Exportação de milho cai 16% no ritmo diário de outubro e não reage; real forte tira margem do exportador
Fontes
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