Incêndios no oeste do Pará chegam a 922 focos e deixam ar de Santarém muito insalubre; região de grãos monta sala de crise
Pará lidera os focos ativos do país, segundo o Inpe; Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos cedem tratores aos bombeiros para abrir aceiros, e o governo federal reforça o combate com 16 aeronaves

- O fogo avança sobre Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos, municípios do planalto santareno, polo de soja e milho do oeste do Pará
- Com o estado em alerta climático desde 24 de setembro, aceiro em volta de lavoura, pasto, galpão e cerca é a defesa mais barata até a chuva voltar
- O mesmo El Niño que encharca o Sul seca o Norte: quem produz na Amazônia deve contar com estiagem mais longa na janela de plantio
Os incêndios no Pará colocaram o estado no topo do ranking de focos de fogo do país nesta segunda-feira (19). A plataforma Queimadas do Inpe registrava 922 focos ativos no Pará, o maior número entre os estados, segundo a Agência Brasil.
A fumaça derrubou a qualidade do ar no oeste paraense. Em Santarém, o índice da plataforma IQAir chegou a 260, faixa considerada muito insalubre. A estação da cidade mediu 185 microgramas de material particulado fino por metro cúbico, quase seis vezes o limite diário de 32 usado pela legislação brasileira.
agro.page · grátisQuem vende no agro tem agro.pageRevenda, produtor e cerealista: sua vitrine com WhatsApp e Pix pronta hoje, grátis, sem app.Quero o meu grátis →O fogo também chegou a Alter do Chão, distrito de Santarém. No Amazonas, havia 90 focos ativos, depois de mais de mil pontos de fogo em outubro, e Manaus marcava índice 153, faixa insalubre, segundo o Poder360.
Incêndios no Pará: o que governos e prefeituras fizeram
O Corpo de Bombeiros e as prefeituras de Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos montaram uma sala de crise conjunta. As prefeituras cederam veículos com tração, combustível, drones, tratores e pás carregadeiras para os bombeiros abrirem aceiros, segundo o portal Pará Terra Boa. O mesmo relato aponta falta de fiscais para identificar e punir os responsáveis pelos focos.
O governo do Pará já tinha decretado, em 24 de setembro, estado de alerta climático e ambiental em todo o território, por causa das projeções de seca severa em 2026 e 2027. No plano federal, o Ministério da Defesa instalou um Estado-Maior Conjunto em Manaus e adaptou mais 5 aviões, somando 16 aeronaves no combate. Uma base da Força Nacional do SUS deve começar a funcionar nesta terça-feira (20).
A leitura do agro.page
Belterra e Mojuí dos Campos ficam no planalto santareno, a principal área de soja e milho do oeste do Pará, perto do porto de grãos de Santarém, no rio Tapajós. Na região, a soja costuma ser plantada só com a volta das chuvas, então o fogo que avança nesses municípios antes da semeadura põe em risco cercas, palhada e estruturas das fazendas.
O quadro é o oposto do Centro-Sul. Enquanto o Paraná e Mato Grosso do Sul lidam com excesso de chuva e plantio travado, como mostrou o agro.page, o Norte enfrenta estiagem agravada pelo El Niño, que a agência meteorológica do Japão já aponta como o mais forte já medido.
O que observar
A chegada da Força Nacional do SUS e das aeronaves nesta semana. Para o produtor da região, vale manter aceiros limpos e lembrar que o uso do fogo em área rural depende de autorização do órgão ambiental; queimada sem licença pode levar a multa e embargo da área.
Entenda o contexto
Fontes
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