Vírus Shamonda, que atinge bovinos na Europa, tem 1º caso humano confirmado na França
Paciente imunodeprimido morreu em Lyon; governo francês e agência europeia dizem não ver risco para a população. Nos rebanhos, o vírus chegou a mais de dez países desde julho, derruba a produção de leite e não tem vacina

- O vírus Shamonda não tem vacina, segundo a Organização Mundial de Saúde Animal: a defesa do rebanho é controlar o maruim, o inseto que transmite a doença
- Aborto ou bezerro malformado em série e queda brusca de leite são sinais para chamar o veterinário e avisar o serviço veterinário oficial do estado
- Quem compra sêmen, embrião ou animal da Europa deve pedir ao fornecedor a situação sanitária da origem antes de fechar negócio
A França confirmou nesta quinta-feira (22) o primeiro caso humano do vírus Shamonda, um vírus de animais de criação que circula entre bovinos na Europa desde o meio do ano. O paciente, um homem de cerca de 60 anos da região de Lyon, estava gravemente imunodeprimido e morreu no início de outubro, segundo a Reuters, reproduzida pela Agência Brasil, e a Euronews.
Os ministérios da Saúde e da Agricultura da França e o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) afirmam que, até agora, não foi identificado risco para a população em geral. Segundo a Al Jazeera, a Organização Mundial da Saúde tratou o episódio como caso isolado.
agro.page · grátisSeu agro.page grátis em 2 minutosWhatsApp, Pix, catálogo e a cotação do dia num link só. Coloque na bio e venda mais.Criar meu agro.page grátis →A investigação ainda apura como a infecção ocorreu. A hipótese principal do governo francês é a picada de um inseto do gênero Culicoides, o maruim, no leste da França, onde o vírus circulou entre animais na primavera e no verão europeus, segundo a CNN e a Euronews.
Vírus Shamonda nos rebanhos da Europa
Para quem cria gado, a notícia maior está no curral. O vírus foi identificado na Europa no fim de julho e, até 20 de outubro, já havia casos em mais de uma dezena de países, entre eles França, Alemanha, Espanha e Irlanda, segundo a Reuters. Em Portugal, a confirmação saiu em outubro, segundo a Renascença.
A Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) diz que os surtos de 2026 vêm de duas variantes novas e que não há vacina disponível no comércio. A OMSA não registrou transmissão de animal para animal, só da mãe para o bezerro na gestação.
Os sinais descritos pela OMSA e pela autoridade veterinária de Portugal (DGAV) são febre, diarreia, queda na produção de leite e, em vacas prenhes, abortos e malformações nos fetos. Ovinos e caprinos podem se infectar sem sintoma aparente.
Quanto pesa no leite
Um estudo francês com nove fazendas leiteiras, citado pela Reuters, registrou queda de até 75% na produção de leite. Na conta do agro.page, numa vaca que produz 25 litros por dia, isso seria até 18,75 litros a menos por dia enquanto durar o quadro.
As fontes consultadas não citam registro do vírus no Brasil, e o agro.page não localizou comunicado do Ministério da Agricultura sobre o tema até a publicação. Também não há, nas fontes, anúncio de restrição comercial ligada ao Shamonda.
O que muda para o agro
- Sem vacina, o foco é o vetor: a recomendação da OMSA e da DGAV é proteger os animais do maruim, com repelentes e inseticidas, e tratar os sintomas.
- Sinal de alerta no rebanho: aborto ou bezerro malformado em série e queda brusca de leite pedem o veterinário e aviso ao serviço veterinário oficial do estado.
- Genética importada: quem compra sêmen, embrião ou animal da Europa deve pedir ao fornecedor a situação sanitária da origem. Veja outras notícias de sanidade animal.
Entenda o contexto
Fontes
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